No quarto quieto
o silêncio pesa nas paredes.
Há passos que nunca dei
ecoando dentro de mim.
Ecos de dias impossíveis,
como se outra vida tivesse passado
por caminhos que nunca percorri.
No espelho da noite
procuro o rosto que fui ontem,
mas encontro apenas um vulto
feito de ausência e silêncio.
Talvez viver seja isto —
correr atrás de alguma luz
sem saber se ela existe
ou se nós que a inventamos.
E ainda assim seguimos.
Entre o que resta
e o que nunca foi,
e o que nunca foi,
carrego no peito
saudades de tempos que nunca existiram.
Patrick Pinheiro
12/03/2026


